Políticas sociais são um conjunto de concepções, objetivos e ações públicas, realizadas em áreas específicas voltadas ao atendimento de necessidades sociais em diversos campos. São dever do estado e direito do cidadão e cidadã, com responsabilidades compartilhadas pelos governos federal, estaduais e municipais. 

São regidas por legislações, diretrizes conceituais, normas técnico-operativas, planejamento, avaliação e provisão orçamentária própria. As políticas sociais devem ter perenidade, continuidade e devem ser articuladas com as demais iniciativas de governo, conformando parte do patrimônio político do Brasil. A exemplo do que tem ocorrido com os governos dos presidentes Lula e Dilma. 

Neste eixo, englobam-se as políticas públicas de educação, saúde, assistência social, transferência e redistribuição de renda, direitos humanos, abastecimento e segurança alimentar, geração de trabalho e renda, segurança pública, cultura, lazer, esporte, políticas agrária e agropecuária, meio ambiente, inclusão digital e ações afirmativas que visam à igualdade de gênero, étnico-racial e a liberdade de orientação sexual e religiosa. 

Essas políticas dizem respeito diretamente à concretização de direitos sociais e são tensionadas pelo conflito de interesses em disputa na sociedade.

Os exemplos apresentados são expressão dos avanços realizados no governo da presidenta Dilma. São programas que articulam políticas setoriais, de proteção e promoção social, de enfrentamento à pobreza e afirmação de direitos. Como responsabilidade do estado e direito dos cidadãos e das cidadãs.

Plano Brasil Sem Miséria 

O Plano Brasil Sem Miséria, lançado em junho de 2011, tem como finalidade superar a condição de extrema pobreza que ainda atinge parcela da população brasileira, criando oportunidades para elevar a renda e o acesso a serviços públicos para a população em situação de miséria e extrema miséria. 

O Plano Brasil Sem Miséria organiza-se em três grandes eixos: 1) Garantia de renda; 2) Acesso a Serviços; 3) Inclusão Produtiva Rural e Urbana. O Plano prevê a articulação de diferentes programas e ações de diversos ministérios e órgãos públicos, além da cooperação de estados, municípios e da sociedade civil, visando promover o desenvolvimento local de modo que os beneficiários consigam superar a situação de vulnerabilidade.

Para conseguir realizar o Plano, o Ministério do Desenvolvimento Social previu a estratégia da Busca Ativa, que significa o estado ir até a população extremamente pobre, visando assegurar sua identificação e o registro no Cadastro Único, de modo a possibilitar a inclusão no Programa Bolsa Família e em outras políticas e serviços públicos.

Programa Bolsa Família

O Programa Bolsa Família, criado em 2003, no governo Lula, representou a primeira grande incursão do País em políticas sociais centradas – de fato – na pobreza, visando superar as desigualdades e injustiças presentes no Brasil há séculos. O programa, desde seu início, tem como finalidade: combater a fome e promover a segurança alimentar e nutricional das famílias; combater a pobreza; permitir o acesso das famílias beneficiadas à rede de serviços públicos nas áreas de educação, saúde, segurança alimentar e assistência social.

Hoje, o Bolsa Família é a base do Plano Brasil Sem Miséria, e para ter esse papel foi aperfeiçoado. 

O programa é destinado a famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. As famílias extremamente pobres são aquelas que têm renda per capita de até R$ 77,00 por mês. As famílias pobres são aquelas que têm a renda per capita entre R$ 77,01 a R$ 154,00 por mês, e que sejam compostas por gestantes, nutrizes (bebês), crianças ou adolescentes entre 0 e 17 anos. Até 2011, estimava-se que 16 milhões de brasileiros possuíam renda familiar per capita inferior a R$70,00.

A sua gestão é feita conjuntamente entre União, Distrito Federal, estados e municípios. 

A seleção das famílias é feita com base no Cadastro Único, que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Os municípios são os responsáveis pela identificação e preenchimento dos dados das famílias nesse cadastro.

Mas, como essas famílias são encontradas? Para localizar e identificar todas essas famílias de baixa renda existentes no Brasil e incluí-las no Cadastro Único, o governo federal utiliza a Busca Ativa. 

A Busca Ativa é, portanto, uma estratégia do Plano Brasil Sem Miséria para fazer o Estado chegar até as pessoas mais pobres do Brasil e incluí-las no Cadastro Único, permitindo que elas acessem os benefícios do Bolsa Família e de outros programas sociais do governo federal, além de facilitar o acesso a serviços sociais básicos nas áreas da saúde, educação, assistência social, saneamento, trabalho, entre outros. 

Pela Busca Ativa, 1,03 milhão de famílias extremamente pobres foram incluídas no Cadastro Único e passaram a receber o benefício do Bolsa Família em 2013. A meta para 2014 é cadastrar 1,5 milhão de famílias.

Desde 2003, o Programa trabalhou com valores fixos. Em 2012 – com a Ação Brasil Carinhoso, o benefício passou a variar de acordo com a severidade da pobreza. Todas as famílias beneficiárias, com crianças de 0 a 15 anos, passaram a receber benefícios suficientes para que cada membro da família tivesse renda de, no mínimo, R$ 77,00.

Em março de 2013, esse benefício foi estendido a todas as famílias do Bolsa Família em situação de extrema pobreza. Com esse conjunto de medidas e avanços foram retiradas da extrema pobreza 22 milhões de pessoas. Portanto, o Bolsa Família chega aos seus 10 anos comemorando uma conquista: o fim da miséria, do ponto de vista da renda, no universo dos seus beneficiários. 

O Bolsa Família é composto por vários tipos de benefícios, que juntos integram o valor mensal que o beneficiário do programa recebe. Estes benefícios são definidos de acordo com o perfil da família registrado no Cadastro Único. Entre as informações consideradas, estão: a renda mensal por pessoa, o número de integrantes da família, o total de crianças e adolescentes de até 17 anos, além da existência de gestantes e nutrizes. Os tipos de benefícios previstos no Programa são:

O Bolsa Família não se limita apenas a transferir renda às famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. Ele possui condicionalidades, que são os compromissos assumidos tanto pelas famílias beneficiárias quanto pelo governo. Por um lado, as famílias devem cumprir esses compromissos para continuar recebendo o benefício. Por outro, o poder público deve se responsabilizar pela oferta dos serviços públicos de saúde, educação, assistência social, entre outros.

É por meio dessas condicionalidades que o Bolsa Família se relaciona com outras políticas do governo federal, pois são elas que favorecem a conexão entre várias políticas públicas em diversas áreas.  Na área de saúde, por exemplo, as famílias beneficiárias têm o compromisso de acompanhar o cartão de vacinação e o crescimento e desenvolvimento das crianças menores de 7 anos. As mulheres na faixa de 14 a 44 anos também devem fazer o acompanhamento e, se gestantes ou nutrizes (lactantes), devem realizar o pré-natal e o acompanhamento da sua saúde e do bebê. Na educação, todas as crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos devem estar devidamente matriculados e com frequência escolar mensal mínima de 85% da carga horária. Já os estudantes entre 16 e 17 anos devem ter frequência de, no mínimo, 75%. Na área de assistência social, crianças e adolescentes com até 15 anos em risco ou retiradas do trabalho infantil pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), devem participar dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do Peti e obter frequência mínima de 85% da carga horária mensal.

Além disso, o Bolsa Família também se relaciona com o eixo de ação do Plano Brasil Sem Miséria que tem como objetivo promover a inclusão produtiva das famílias beneficiárias, visando sua emancipação econômica. Este objetivo está sendo alcançado por meio de acordos de cooperação com os estados e municípios, que permitem aumentar as capacidades, as oportunidades de trabalho e a geração de renda das famílias mais pobres do campo e das cidades, promovendo, assim, o desenvolvimento dessas pessoas e dos locais onde elas vivem.

Após dez anos de sua criação, o Bolsa Família é reconhecido como maior programa de transferência de renda do mundo. Conquistou importantes resultados em termos de redução da pobreza e desenvolvimento econômico nacional e local, custando muito pouco aos cofres públicos, se comparado aos padrões internacionais. Só para se ter uma ideia, o investimento do governo federal no Bolsa Família em 2013 foi de R$ 24,89 bilhões, o que corresponde a apenas 0,51% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2014, a previsão de investimento é de 24,7 bilhões.

Superação da miséria

O Programa, que beneficia 14 milhões de famílias e 50 milhões de pessoas mensalmente, já tirou 36 milhões de pessoas da situação de extrema pobreza e já destinou R$ 120 bilhões às famílias beneficiárias. É importante destacar que a maior parte das famílias beneficiadas vivem no Nordeste (50%), e após 2011, 62,6% das famílias que deixaram o programa eram também nordestinas.

A ampliação da cidadania da mulher

O Bolsa Família e o Plano Brasil Sem Miséria têm articulado políticas que contribuem para a emancipação das mulheres no Brasil. 

No caso do Bolsa Família, o controle dos recursos repassados às famílias beneficiadas fica, preferencialmente, nas mãos das mulheres. Essa condição garantiu mais respeito, despertando nelas os sentimentos de liberdade, autoconfiança e determinação. 

Inclusão social e econômica e desenvolvimento local

São visíveis os impactos positivos do Bolsa Família na economia, sobretudo, favorecendo o desenvolvimento econômico local. Afinal, ao transferir renda às famílias pobres e extremamente pobres, o governo reduz as desigualdades regionais, fomenta o comércio e a economia nos locais onde essas pessoas vivem, promovendo o desenvolvimento econômico desses territórios.   

Destaca-se a evolução positiva do mercado de trabalho, com geração de milhões de postos de trabalho e evolução real do rendimento médio, impactando principalmente as famílias mais pobres, beneficiando também as mulheres e a população negra.

A redução da pobreza e das desigualdades tem ampliado gradativamente a segurança alimentar em domicílios de baixa renda per capita, ainda que persistam situações de insegurança alimentar e nutricional graves em populações específicas, como crianças indígenas e quilombolas. 

Vejamos alguns resultados:

• Em estados com alto índice de trabalho informal, algumas famílias só obtiveram crédito no comércio quando passaram a ser beneficiadas pelo Bolsa Família;

• Os beneficiários do Bolsa Família representam 45% dos clientes dos programas de microcrédito urbano e 65% dos programas de microcrédito rural do Banco do Nordeste;

• Cada R$1,00 investido no Bolsa Família gera um aumento de R$ 1,78 no Produto Interno Bruto;

• Cada R$1,00 investido no Bolsa Família gera um acréscimo de R$1,19 no Benefício de Prestação Continuada e de R$1,06 no seguro desemprego;

• Cada R$1,00 transferido às famílias gera um aumento de R$1,98 no consumo final da economia e de R$2,40 no indicador de consumo final das famílias.

Prova desses resultados positivos é que, desde a criação do Bolsa Família, 5,8 milhões de famílias já deixaram o programa, porque aumentaram a sua renda e não mais se enquadravam na atual faixa de pagamento do benefício. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), outro ganho trazido pelo Bolsa Família foi a melhoria nas condições habitacionais das famílias beneficiadas.

Vejamos outros resultados do Programa:

Trabalho

• Apesar da transferência de renda, 70% dos beneficiários do PBF trabalham;

• A participação dos beneficiários do programa na População Economicamente Ativa é de 68,3%, maior que a média nacional, que é de 67,2%; 

• 9,2% dos 4,4 milhões de microempreendedores individuais do Brasil recebem o benefício do Bolsa Família;

• Desde a sua criação, o Bolsa Família reduziu em 8,7% o trabalho infantil;

• O Programa foi responsável pela criação e manutenção anual de 807 mil empregos e ocupações na Região Nordeste.

Educação

O Bolsa Família foi desenvolvido para garantir não apenas o direito de todas as crianças à educação, mas sua permanência na escola para que tenham um futuro melhor, rompendo o ciclo de pobreza que, no passado, marcou gerações de famílias. E os resultados desse esforço são:

• 15,4 milhões de estudantes têm frequência acompanhada;

• 95% dos beneficiários do programa (14,5 milhões de crianças e adolescentes) cumpriram a exigência de frequência escolar;

• A taxa de aprovação dos estudantes do Bolsa Família, no ensino fundamental, em 2011, foi de 84%;

• A defasagem idade-série foi menor do que a média registrada pelas crianças não beneficiadas pelo programa;

• No ensino médio, a taxa de aprovação dos alunos beneficiados pelo programa foi de 79,9%, superando a média nacional que é de 75,2%;

• A taxa de abandono dos estudantes do ensino médio do Bolsa Família foi de 7,4%, menor do que a taxa nacional que foi de 11,3% em 2012;

• A taxa de abandono dos estudantes de ensino fundamental, beneficiados pelo Bolsa Família foi de 2,8%, enquanto a média nacional foi de 3,2%, em 2012.

Saúde

Além de ampliar o acesso da população mais pobre aos serviços públicos na área da saúde, o Bolsa Família melhorou a alimentação dos seus beneficiários, levando, assim, mais saúde e qualidade de vida às famílias atendidas. Vejamos os resultados alcançados:

• Redução da mortalidade infantil causada por desnutrição em 58%;

• Apenas 5,5% dos filhos dos beneficiários do Bolsa Família apresentaram baixo peso ao nascer, contra 6,5% dos filhos de não beneficiários;

• As crianças menores de 5 anos beneficiadas pelo programa tiveram 26% mais chances de atingir a altura ideal para idade do que os filhos de não beneficiários;

• Os beneficiários do Bolsa Família consumiram 8,5% mais calorias do que os não atendidos pelo programa;

• As famílias beneficiárias gastaram 6% a mais com a alimentação do que os não beneficiados pelo programa;

• O número de crianças vacinadas contra a poliomielite foi 15% maior em crianças atendidas pelo Bolsa Família;

• A vacinação contra tétano, difteria e coqueluche foi 18% maior em filhos de beneficiários do Bolsa Família.

Como se observa, juntos, o Bolsa Família e o Plano Brasil Sem Miséria têm realizado o compromisso dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma de incentivar o desenvolvimento com distribuição de renda, reduzindo as desigualdades. 

Ação Brasil Carinhoso

A Ação Brasil Carinhoso, inserida no Plano Brasil Sem Miséria, tem o desafio de quebrar o ciclo intergeracional da pobreza, melhorando a renda familiar das crianças mais pobres, ampliando as suas oportunidades de frequentar creche, educação infantil e de melhorar as condições de saúde, oferecendo a essas crianças atenção integral.

No âmbito da ampliação de oportunidades na Educação para as crianças do Bolsa Família – as que mais precisam e as que têm menos acesso –, a Ação Brasil Carinhoso incentiva a criação de novas vagas em creches públicas ou conveniadas, antecipando o financiamento do FUNDEB em até 18 meses e garantindo o repasse de mais 50% desse valor para vagas às crianças beneficiárias do Bolsa Família (vagas novas ou já existentes). Em 2012, houve também um aumento de 66% do valor repassado pelo MEC para alimentação escolar.

Em relação à melhoria das condições de saúde das nossas crianças, a partir de 2012, ocorre pela Ação Brasil Carinhoso:

• Distribuição de sulfato ferroso nas Unidades Básicas de Saúde às crianças de 6 a 24 meses;

• Suplementação com megadoses de vitamina A nas campanhas de vacinação, a crianças de 6 a 59 meses;

• Distribuição de medicamento gratuito para asma na Rede Aqui Tem Farmácia Popular;

• Expansão do Programa Saúde na Escola para creches e pré-escolas.

Eixo Inclusão Produtiva Rural

A área rural concentra proporcionalmente o maior índice de pobreza extrema; um em cada quatro moradores do campo vive na extrema pobreza. A estratégia central do Plano Brasil Sem Miséria para a agricultura familiar é a garantia de assistência técnica e de fomento à produção. Equipes de profissionais das próprias regiões e recursos a fundo perdidos no montante de R$ 2.400,00 por família permitem investimento e reorganização das propriedades. Já foram atendidas 260 mil famílias, que agora têm condições de aumentar a produção e melhorar a renda. 

Outra estratégia é a garantia do acesso à água pelo Programa Água Para Todos. Foram entregues 339 mil cisternas para universalizar o acesso à água para famílias, principalmente no semiárido. 

Extrativistas, assentados e ribeirinhos foram beneficiados com o Bolsa Verde, para continuar produzindo e conservando o meio ambiente.

Eixo Inclusão Produtiva Urbana

A estratégia para o meio urbano é proporcionar qualificação profissional para a população pobre e extremamente pobre, que ainda apresenta um perfil de baixa escolaridade e formação para o trabalho.   

Desde janeiro de 2012, são mais de meio milhão de matrículas de pessoas pobres e extremamente pobres, inscritas no Cadastro Único, em cursos de qualificação profissional do PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. São 481 tipos de cursos adaptados e de excelência, organizados pelo SENAC, SESC e SENAI, em 1.480 municípios. Dentre os inscritos, 66% são mulheres e 48% têm entre 18 e 29 anos.

A estratégia de formalização e sustentabilidade para empreendedores de baixa renda, do Microempreendedor Individual (MEI), do SEBRAE, também tem tido efeito sobre a população inscrita no Cadastro Único e no Bolsa Família. Do total de MEIs – 2,89 milhões – 22% são de inscritos no Cadastro Único e 10% de beneficiários do Bolsa Família.

E, por fim, também houve um fortalecimento e expansão da economia solidária, estratégia de emancipação dessa população extremamente obre no meio urbano.

Nos últimos anos, o Brasil tem vivido a concretização de um projeto de desenvolvimento, com promoção da justiça social, fortalecimento da democracia e presença soberana no mundo.

Um desenvolvimento inclusivo e sustentável, que articula as dimensões social, econômica, cultural, ambiental e ética, a partir do fortalecimento do Estado e da democracia, que se apoia no equilíbrio macroeconômico e no crescimento, e tem promovido a distribuição de renda, visando à superação da histórica desigualdade social, ainda expressiva no Brasil.

Balizas que, nos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, orientaram a concepção e implementação de políticas fundamentais para o desenvolvimento do País e que contribuíram para a redução das desigualdades regionais, como a produção de energia; infraestrutura; políticas agrária e agrícola, com ênfase na produção de alimentos; políticas de proteção ambiental e de produção sustentável; políticas industrial, naval e aeroespacial; políticas de segurança pública; o conjunto das políticas de proteção e desenvolvimento social; ampliação do direito à educação e novos padrões de produção de conhecimento e cultura.

São políticas públicas articuladas, de longo prazo, com solidez e continuidade, conformando parte do patrimônio político do Brasil.

Elaboradas a partir de princípios e conceitos que se pretendem tornar permanentes, como políticas de Estado, que possam constituir patamares de referência ao diálogo entre governantes e sociedade, estas políticas têm sido construídas nas discussões criativas e críticas com participação social, nas mais de 100 conferências realizadas nas esferas nacional, estadual e municipal e nos conselhos temáticos. Espaços institucionais, nos quais as mais diversas representações de interesses e opiniões são acolhidas e fomentam o debate e a pactuação de indicativos para os processos de tomada de decisões e o diálogo com o Congresso Nacional, com os governos estaduais e municipais.

O Brasil tem sido capaz de assegurar a estabilidade macroeconômica, a recuperação do crescimento e o controle inflacionário, com ampliação das taxas de investimento, tanto no setor público quanto privado. Houve investimentos em política industrial e agrícola; investimentos em infraestrutura econômica e social; investimentos em atividades intensivas em recursos naturais e a formação de um mercado interno de massas. A formalização nas relações de trabalho cresceu, o desemprego caiu e se encontra, hoje, em suas menores taxas históricas. A política de valorização do salário mínimo fez com que os salários tivessem expressivos aumentos, particularmente os dos trabalhadores e trabalhadoras de baixa renda. Os investimentos sociais têm assegurado e/ou ampliado direitos e contribuído para a superação das desigualdades sociais, culturais, étnicas e entre homens e mulheres.

Os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma conduziram uma política de desenvolvimento social voltada à inclusão, à garantia de emprego e renda, ao acesso às políticas públicas e à universalização dos direitos, que possibilitou que milhares de brasileiros e brasileiras saíssem da miséria. As brasileiras e os brasileiros beneficiários dos programas sociais têm tido oportunidades de trabalho e renda, acesso a cursos profissionalizantes e de elevação de escolaridade. A distribuição de renda tem sido efetiva e significativa.

Outra importante conquista para o Brasil é o planejamento integrado das políticas públicas do governo federal e o empenho no processo de planejamento destas políticas entre a União e os governos estaduais e municipais. Exemplo disso tem sido o processo de planejamento do desenvolvimento brasileiro pelo poder público, que introduziu a participação social e a perspectiva de integração na elaboração do Plano Plurianual – PPA.

O Plano Plurianual em escala federal tem sido produzido como um Plano Nacional, que visa se constituir em instrumento de planejamento estratégico do Estado brasileiro, estabelecendo metas que dialogam, por meio de avaliações, com as metas estabelecidas anteriormente.

O Plano Plurianual constitui-se em referência para os investimentos públicos e privados do País e para a elaboração dos PPAs Estaduais e Municipais, de acordo com as determinações constitucionais.

O governo federal elaborou, para esse fim, uma ousada ação de capacitação dos gestores e gestoras públicos em vários municípios do País, tendo como base o desenvolvimento das políticas no território, com suas características específicas, a articulação entre as políticas e a ampla participação da sociedade. Trata-se de articular o PPA Federal com os PPAs Municipais, de sorte a desenvolver uma cultura de planejamento estratégico e torná-la, de fato, uma questão nacional.

O Brasil antes

Antes dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, a situação no Brasil não era essa. Os governos de Collor e FHC dirigiram o País a partir das referências do programa neoliberal, cujas características são expressas em:

  • ajuste fiscal, beneficiando o mercado financeiro e provocando a concentração de renda, o aumento do desemprego e da pobreza;
  • subordinação aos interesses norte-americanos na política externa, consubstanciada, por exemplo, na discussão sobre a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas);
  • “Estado Mínimo”, com a redução de direitos (diminuição do acesso e da qualidade dos serviços públicos) e de investimentos em políticas sociais e em infraestrutura do País e privatização das empresas estatais;
  • criminalização e desmoralização dos movimentos sociais;
  • redução das responsabilidades do Estado, transferindo suas funções para outras instituições;
  • interdição do debate sobre o desenvolvimento

O PT se posicionou publicamente contra essas medidas e apresentou outro projeto ao Brasil. Apoiando-se nas suas históricas bandeiras de lutas e nas conquistas inscritas na Constituição de 1988, defendeu as instituições públicas, o patrimônio do País, a prevalência da justiça social sobre a lógica do mercado e o fortalecimento dos movimentos sociais.

Atualmente, com a ampliação das oportunidades à sociedade, os brasileiros e brasileiras, especialmente os jovens, voltaram a sonhar com um futuro de acesso ao conhecimento, ao trabalho, aos direitos sociais.

Hoje, a maioria da sociedade sabe que tem o direito de querer mais. Direito que somente poderá ser realizado mediante a permanência e consolidação do projeto de desenvolvimento implementado pelos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma.

Há muita gente – principalmente estudantes de comunicação – que acreditam em um jornalismo imparcial. Não quero brochar ninguém, mas sempre é bom lembrar:

- Toda TV, Rádio e Jornal tem um dono

- Todo empresário de comunicação é patrão

- Todo patrão age como tal

- Todo patrão tem interesses (para o bem e para o mal)

- Toda empresa de comunicação precisa de dinheiro para sobreviver

-  Todo empresa de comunicação vive basicamente de publicidade

- Todo patrão fala bem de quem financia seu negócio

- Todo patrão fala mal dos que não financiam (até que eles passem a financiar)

-  Todo patrão tem amigos e inimigos no poder

- Todo patrão precisa ajudar para ser ajudado

- Toda redação tem um aquário

- Todo aquário tem um pau mandado

- Todo jornalista que não respeita o patrão ou o aquário é demitido

- Todo dia o jornalista produz notícias

- Todo o povo acredita no quê lê

- Todo o povo acredita no que ouve

- Todo o povo acredita no que vê

Reproduzo aqui com absoluta concordância o comunicado divulgado pelo Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais, do qual a organização onde trabalho também faz parte.

Acima de tudo é preciso saber as reais intenções por trás destes protestos e da desestabilização do governo. A Venezuela é um dos maiores países produtores de petróleo no mundo, e assim como o Iraque, Líbia e Egito, que sabidamente possuem um histórico de intervenções militares de outros países após crises políticas bastante semelhantes.

Em defesa da soberania nacional e da manutenção da legalidade na Venezuela

O Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI), formado por acadêmicos, representantes de movimentos sociais, partidos políticos, organizações não-governamentais e outros integrantes da sociedade civil brasileira, manifesta sua solidariedade ao povo e a governo da República Bolivariana da Venezuela diante das ameaças à ordem constitucional que esse país irmão tem enfrentado nas últimas semanas.

Entendemos que a Venezuela vive uma era de enormes transformações no sentido do aprofundamento da democracia e do avanço da justiça social, em um processo permanentemente respaldado por eleições livres, reconhecidas por observadores internacionais independentes. Para nós, brasileiras e brasileiros, tem sido especialmente importante a contribuição venezuelana para o projeto coletivo da integração regional.

Tudo isso nos leva a tomar uma firme posição em defesa da soberania nacional e da manutenção da legalidade na Venezuela. Repudiamos a tentativa de desestabilização do governo legítimo do presidente Nicolás Maduro, assim como qualquer tipo de ingerência externa nos assuntos venezuelanos.

Neste momento, defender a democracia, a paz, os direitos humanos e o respeito à Constituição na Venezuela significa defender esses mesmos valores em toda a América Latina.

Ele é garanhão. Ela é galinha

Ele é competente. Ela deu para o chefe

Ele ganha mais. Ela faz o mesmo trabalho

Ele dirige bem. Ela é mulher

Ele é chef. Ela, dona de casa

Ele joga futebol. Ela é sapatão

Ele é piloto de avião.  Ela? Com ela eu não vou

Ele bebeu além da conta. Ela é uma vadia e depois que bebe dá pra qualquer um

Ele caiu em tentação. Ela pediu para ser estuprada por andar com aquela saia

Ele, obstetra, lembra que na hora de fazer, não gritou. Ela está sem anestesia

Ele não assumiu. Ela criou sozinha

Ele se descontrola. Ela apanha

Ele arrumou outra. Ela morreu

Ele ri da delegacia da mulher. Ela não teve tempo de denunciar

Ele é um político corrupto. Ela é incompetente porque é mal-comida

Eles ocupam 91,4% do parlamento brasileiro. Elas, só 8,6%

Eles são 49% dos brasileiros. Elas são 51%

Discussão de gênero? Essas feministas são chatas pra cacete

E o Dia Internacional do Homem? Por que não tem?

Se eu fosse você, não repetiria essa pergunta…

Parabéns a todas as mulheres neste 8 de março e nos outros 364 dias do ano

A luta continua!

Quantas vezes você já não ouviu essa frase dentro de aeroportos, hospitais, consultórios, barbearias e tantos outros locais? É engraçado como essa relação midiática é algo tão enraizado na cultura brasileira. Sintonizar a emissora da família Marinho tornou-se uma espécie de necessidade fisiológica subliminar preestabelecida. E aqueles que ousam em fugir à regra recebem muita reclamação.

Desde que eu me lembro por gente, é sempre a mesma receita: notícias, programação matinal para a família, seguida do jornal local, jornal esportivo, jornal em rede, bastidores, novela antiga, filmes repetidos, novelas, jornal, novela, futebol, jornal, entrevista e ufa, acabou mais um dia! É uma grade de programação que faz parte do DNA do brasileiro comum. Tirar isso da rotina provoca um choque comportamental único no mundo. Isso sem contar o BBB.

A dependência da nossa população a este grupo de comunicação é preocupante, pois demonstra a facilidade com que se pode manobrar uma parcela significativa da sociedade que nada mais é do que uma massa carente de experiências intelectuais ricas e diversificadas. São milhões de pessoas carentes da pluralidade de opiniões e de uma discussão em alto nível. São reféns, por exemplo, das “meninas do Jô”, um grupo de jornalistas que não deve andar de transporte coletivo há décadas, mas conhecem com uma propriedade ímpar as mazelas do povo.

Além disso, trata-se de um grupo que ao ouvir o que sai da boca de um personagem de novela confunde facilmente ficção com a realidade. Basta lembrar a quantidade de atores agredidos ou idolatrados a partir do papel que representou nos folhetins campeões de audiência.

O mesmo acontece com o conteúdo jornalístico. Se o jornal noticiou, logo é verdade. E até explicar que focinho de porco não é tomada, o estrago já está feito. O caso emblemático da Escola Base, em que os proprietários foram linchados publicamente e depois considerados inocentes, é apenas um grão de areia em meio a um oceano de distorções da realidade.

A influência que as obras de ficção realizadas no Projac – recheadas de indiretas políticas – exercem sobre o comportamento da população, é imensurável. Até mesmo em programas de humor, como o Zorra Total, há diversas mensagens endereçadas aos “inimigos” dos Marinho que são tão explícitas, que chegam a ser bizarras.

O colunista Ricardo Feltrin, da Folha, publicou hoje que de acordo com um estudo do Ibope, 33 de cada 100 pessoas que pagam pacotes por assinatura deixam a TV o dia todo na Globo (e nessa conta estão os consultórios e afins). Se somados os canais da Globosat (Multishow, GNT, Sportv, Viva, etc.), esse índice de dependência chega a 40%, o dobro de todos os concorrentes juntos. Ou seja: a Globo tem literalmente a faca e o queijo na mão para acender ou apagar o incêndio que desejar.

Geração após geração, o brasileiro tem sido doutrinado a acreditar no evangelho segundo a Rede Globo. Trata-se de um processo de hipnose digno de estudo e que teve em seus primórdios apoio total e irrestrito dos governos militares. Mas essa é uma longa história que fica para depois.

Fica a dica…

Dias atrás o cartunista Carlos Latuff, com uma sensibilidade ímpar, traduziu em desenho o estereótipo do típico brasileiro alienado: aquele autointitulado intelectual e formador de opinião a partir de profundos estudos adquiridos no sofá de casa, assistindo ao Jornal do SBT. Vale lembrar que ele também é pós-graduado em leitura semanal da revista Veja enquanto aguarda ser chamado na sala de espera do dentista.

Ilustração de Carlos Latuff

Ilustração de Carlos Latuff representa o pior tipo de brasileiro. Aquele que odeia o Brasil

Conhecedor de todos os conflitos internacionais, acha que a ditadura venezuelana – eleita democraticamente pelo voto popular desde a primeira vitória de Chávez – deve ser exterminada o quanto antes pelos EUA, que sem dúvida é uma sociedade mais que perfeita e sabidamente a maior democracia do mundo (que persegue trabalhadores que tentam se organizar e escolhe seu presidente pelo voto indireto).

Além disso, ele se sente na obrigação de alertar a todos na fila do banco sobre a conspiração comunista que pretende transformar Brasília em uma nova Pyongyang. Afinal, nosso amigo coxinha está convencido de que se a massa não for às ruas na segunda edição da Marcha da Família com Deus, o Brasil entrará em um período macabro, dominado pela vermelhidão do mal. “No tempo dos militares não tinha tanta violência e nem corrupção. Tudo funcionava”, brada. Por isso é preciso defender com unhas e dentes as opiniões contundentes da She-Ra do noticiário brasileiro, Rachel Sheherazade, antes que ela seja enviada para o paredão de fuzilamento.

Como ele não é racista, ele tem UM herói afrodescendente. Apenas UM, já que todos os outros representam perigo quando estão por perto em algum semáforo. O problema, Sr. Coxinha, é que não te avisaram sobre alguns desvios de conduta deste mártir. E quando tentam te avisar, você finge que não ouve.

Para este ser superior, todo e qualquer bandido é de esquerda e tem a língua presa ou sotaque caipira. Já o dono do helicóptero que foi apreendido pela Polícia Federal com 450 kg de cocaína, coitado, é vítima de um funcionário que o traiu pelas costas.

“Alstom, Siemens? O que tem?”

Não, ele não ouviu falar. Desista.  Nas últimas edições a revista publicou ótimas matérias sobre saúde e comportamento.