Tá, tudo bem. Muito bom que o STF tenha aprovado a validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições municipais deste ano. Inegável que é um avanço no processo democrático. Mas o buraco é mais embaixo.
Tirando os figurões que serão diretamente afetados pela medida, primeiro eu me questiono qual será o efeito prático da decisão de hoje sobre a população: Será que todos sabem do que se trata? Será que todos se interessam minimamente pelo tema? Ou sabem apenas o último escândalo do BBB?
Sem querer ser mais chato do que costumeiramente sou, o fato é que a decisão do Supremo ajuda uma parte de uma questão muito maior, que é o processo eleitoral como um todo.
Tiramos de combate aspirantes a candidatos que tem ficha suja, mas por outro lado nada é feito de forma convincente para politizar dezenas de milhões de brasileiros que hoje em dia não acompanham política, dizem não gostar de política e tem uma visão absolutamente distorcida do processo.
É assustador o número de pessoas que olham só para o próprio umbigo e não possuem consciência do que é sociedade. Principalmente na classe alta e média, o que impera é o interesse pessoal. A maioria com quem converso enxerga o voto associado a algum retorno ou vantagem pessoal a partir disso. Em parte chega a ser inocente e em parte é nojento.
Há aqueles que são completamente perdidos e desinformados, que não tem noção do que estão fazendo e votam porque o candidato é bonito, engraçado ou famoso. Com isso elegem o Tiririca (nada contra a pessoa) e, sem saber, ajudam a eleger mais quatro ou cinco picaretas de mão maior, simplesmente por não ter ideia do que é coeficiente eleitoral. Isso sem contar os mais humildes (não necessariamente pobres), facilmente manipulados por todo tipo de xaveco eleitoral.
Independente de questões partidárias, a política é feita por quem gosta dela. Se você diz que não gosta, alguém que gosta toma seu lugar e se insere nela. Depois não reclame se só existe ladrão ocupando um espaço que poderia ser ocupado por você.
É só por meio da militância, seja ela social, partidária ou o que for, que podemos mudar algo nesse mundo. Se você não se envolve com nada, porque é um assunto chato, porque só tem picaretas ou porque vai tomar uma ou duas horas da sua semana, eu só posso lamentar, porque você está caindo na pegadinha dos Malandros!
É óbvio que os setores que mais tem interesse em controlar o poder tentarão te afastar de toda e qualquer ação neste sentido. Não se deixe enganar por discursos feitos em novelas, revistas, jornais, rádios e outras influências da TV que mostram a política como algo podre e inacessível. Isso é tudo o que eles querem que você acredite e reproduza.
Filie-se a um partido, participe, brigue (se necessário) e opine. Mostre sua cara e suas ideias. Leia mais a editoria política e procure saber o que o candidato que você votou na última eleição está fazendo (se é que você se lembra dele). Só assim você terá condições de entender a conjuntura em que você está inserido e terá condições de mudar de alguma forma essa nação. As candidaturas e os votos são consequência deste processo. Política vive-se 24h por dia, 365 dias por ano. A política está em tudo. É algo muito importante para ser a última das suas prioridades.
Neste sentido, eu faço minha parte. É pouco, mas faço. Faça a sua você também.


