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Estive na emocionante recepção ao presidente Lula em São Bernardo do Campo. Nela pude encontrar o companheiro Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial de Lula durante os dois mandatos. Ele me confidenciou em primeira mão que a partir de agora, em que foi substituído no gabinete presidencial por seu irmão, Roberto Stuckert Filho, vai trabalhar na CBF ao mesmo tempo em que continuará ao lado de Lula, no instituto que será criado pelo agora ex-presidente. Vale lembrar que o pai deles, Roberto, foi fotógrafo do presidente João Figueiredo.

Eu e Ricardo Stuckert, na noite em que Lula voltou ao ABC após deixar a presidência da República

Outro que deixa de prestar serviços para a presidência é o general Gonçalves Dias, que também esteve em São Bernardo. Responsável pela segurança pessoal de Lula, enquanto ele esteve no poder, Dias agora comandará a 7ª Região Militar do Exército Brasileiro em Salvador.

Os dois, mais o major brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo, responsável por todas as viagens aéreas do presidente, foram provavelmente as três pessoas que mais tempo passaram ao lado de Lula nos últimos oito anos e sempre foram extremamente educados e humildes – porém absolutamente profissionais – em todas as vezes que pude presenciar o trabalho deles de perto.

Stuckinha; brigadeiro Joseli e general Gonçalves Dias, juntos desde o primeiro dia do governo Lula

Lula deixa o Palácio do Planalto no último dia na presidência da República

Nunca antes na história deste País houve dentro deste Palácio, nesta sala, a quantidade de movimentos sociais participando, falando, propondo e decidindo políticas que o governo brasileiro tinha que executar. Foram 73 conferências nacionais, algumas das quais mais de 400 mil pessoas participavam antes de chegar aqui nesse plenário ou em qualquer outro lugar do Brasil. Numa demonstração de que esse é o legado que não poderá ser mudado tão cedo, que é não ter medo de ouvir o povo, não ter medo de deixar o povo participar, acabar com essa maluquice de que o povo só é bom na época da eleição, em que todo mundo anda de carro aberto, e depois que ganha as eleições passa anos sem ter o convívio com o povo; governam para meia dúzia de ricos e esquecem da maioria do povo que é, realmente, a razão de ser de a gente ganhar uma eleição e governar esse país, uma cidade ou um estado.

As palavras são do próprio presidente Lula em seu último evento antes da transmissão da faixa presidencial, realizado nesta sexta-feira (31/12), no Palácio do Planalto, quando foi homenageado pelas equipes que trabalharam com ele na Presidência. Nada melhor para retratar o nosso último post da série “Nunca antes…”: a participação popular.

A despedida hoje no Palácio do Planalto foi marcada por muita emoção, choro, pedidos de fotos, abraços e lembranças. Em seu discurso, Lula afirmou que tem consciência de que entrará para a história como o único presidente que fez mais do que o previsto no programa de governo apresentado. Aproveitando a deixa, leu a apresentação do programa proposto ainda em 2002, quando estava se candidatando pela quarta vez à Presidência:

Sempre tive a firme convicção de que a principal riqueza de uma nação é o seu povo. Por isso, não é difícil avaliar o sucesso ou fracasso de um governo. Basta olhar para os salários e a renda do povo; ver se os índices de desemprego e desigualdade diminuíram; e se a educação ficou de melhor qualidade. Governo bom é o que conduz o País ao crescimento, ao encontro da prosperidade.

Nosso programa de governo tem como preocupação central apresentar mudanças de fundo para o nosso País. Não como um pacote fechado, mas aberto ao debate e a novas contribuições. É impossível aceitar a ideia de uma nova década perdida, em que o governo diz que a economia está sólida enquanto o povo vai mal. Esse é o debate que queremos fazer com toda a nação, pois temos certeza que podemos mudar e melhorar o Brasil.

Com os pés no chão e os olhos no futuro, vamos arregaçar as mangas desde o primeiro instante e realizar um novo contrato social que coloque o País nos trilhos do desenvolvimento. Essa é a única maneira de construir um Brasil decente onde todos tenham a dignidade que tanto queremos.

E foi para o povo e com o povo que o governo efetivamente trabalhou nos últimos oito anos, afirmou Lula diante de cerca de 600 pessoas (entre ministros, militares e funcionários das mais variadas ‘patentes’, que se aglomeraram no Salão Oeste do Palácio do Planalto para ouvir o discurso do presidente. Ele lembrou que “o divisor de águas” em sua vida política foi em 1989, quando percebeu que só poderia governar o Brasil se conhecesse bem as regiões do País, seu povo e suas necessidades.

Discurso de despedida do presidente Lula nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto

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Quando assumiu o poder, Lula procurou incorporar aos quadros da Presidência da República uma área com status de ministério para cuidar exclusivamente do relacionamento com sociedade: a Secretaria-Geral. O resultado foi a participação de mais de cinco milhões de cidadãos na discussão, elaboração e proposição de políticas públicas, por meio das conferências nacionais. Por isso o Brasil passou a ter a cara de seu povo, disse Lula, cada vez mais representado e valorizado internacionalmente, com autoestima fortalecida, com voz ativa que jamais permitiria o retrocesso, principal legado que deixará.

Eu penso que o Brasil mudou. O Brasil mudou na relação com a sociedade. Nunca antes os humildes foram tratados com tanta deferência (…), nunca os estudantes e os professores foram tratados com o respeito que foram tratados. Isso demonstra o grau de maturidade que o Brasil alcançou.

Lula reafirmou que a grande alegria e um dos principais motivos que o fazem sair da Presidência com a cabeça erguida foi a relação que estabeleceu com o povo brasileiro. “Nós não precisamos utilizar violência em nenhum ato público em oito anos de mandato. Vamos terminar o mandato como exemplo”, disse.

Ao agradecer às equipes da Presidência da República pela dedicação e trabalho exaustivo, Lula lembrou que a história do País mudou. Primeiro porque foi eleito um operário como presidente; segundo, porque pela primeira vez na história, o Brasil será governado por uma mulher e “se Deus quiser a Dilma vai fazer muito mais.”

Sairei daqui com duas convicções: de que cumpri com o meu dever, e cumpri com a confiança que o povo brasileiro depositou em mim, e que conseguimos fazer duas pequenas revoluções neste país: primeiro, o povo brasileiro provar que era possível eleger um metalúrgico e esse metalúrgico provar que sabe governar melhor do que muita gente que tem um monte de diploma neste país; segundo, eleger pela primeira vez uma mulher Presidenta da República.

Fonte: Blog do Planalto

O tempo passa, o tempo voa…

Publicado: 31/12/2010 em Geral, Política
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Os anos passam rápido demais. O bom pelo menos, é que tudo o que dizem aí continua a mais pura verdade, oito anos depois! E meu olho continua a brilhar…

 

Faltam poucos dias para o presidente Lula deixar a presidência da República e eu particularmente ainda não me acostumei com a ideia de ver outra pessoa lá no Palácio. Mesmo sendo a companheira Dilma, é difícil saber que estes oito anos passaram tão rapidamente e vem sangue novo no pedaço!

Ontem o Domingo Espetacular fez uma matéria muito boa, de bastidores, com ele. Gravaram inclusive dentro do avião presidencial. Pra quem ainda não viu, tá aí uma ótima oportunidade de conhecer um pouco mais o lado pessoal do presidente. Clique aqui para assistir.