Estou na Suíça desde o início de setembro e uma das coisas mais interessantes nesse tempo aqui foi aprender estar só. Neste país, o comércio fecha muito cedo e, principalmente depois de outubro, o clima não tem ajudado as pessoas a saírem de suas casas. Andar por Genebra só se for por necessidade. Se não há motivo bom o suficiente, é inútil, em meio a tanta garoa e frio.
Essa realidade faz com que eu não tenha muita chance de estar com outras pessoas depois das 17h30, quando deixo o escritório. No meu trabalho o clima é ótimo, mas as pessoas não compartilham daquele mesmo clima que há no Brasil, de estarem mais próximas fora do ambiente profissional. É cultural. Eu basicamente os vejo no horário comercial de segunda a sexta. E ponto.
Não há outra alternativa a não ser vir para casa e tentar conviver da melhor maneira possível com a solidão. E a minha saída para não pirar tem sido a culinária. Nunca fritei um ovo sequer na minha vida. Algo que reflete o comodismo de viver com os pais e que me deixa de certo modo envergonhado. Mas aqui eu descobri essa terapia – e não tarefa – diária. É um aprendizado cheio de sustos e resultados absolutamente incríveis. Não só na panela, mas na alma.
Acho que de todas as experiências dos meus três meses na Europa que vou levar para o resto da vida, a arte de cozinhar e o aprendizado ao entender que você estar só, serão duas das mais importantes. Não sei como será meu futuro, mas o presente tem servido de estágio para uma possível vida assim. Não é algo que eu quero. Muito pelo contrário. Meu sonho é ter esposa e filhos. Mas entre querer e poder, há uma longa distância.
Enquanto isso, vou fazendo meu arroz de cada dia, sempre escutando um louvor ao fundo enquanto a mente recheada de planos vai trabalhando e dando o combustível que me faz caminhar, independente daquilo que me espera lá na frente.


